quarta-feira, janeiro 26, 2011
Biólogos surpreendidos com morcegos que dormem dentro de plantas carnívoras
No Bornéu, pequenos morcegos dormem dentro de plantas carnívoras “em troca” dos nutrientes que lá deixam através das suas fezes e urina, segundo um estudo publicado na “Biology Letters”. Ulmar Grafe, do Departamento de Biologia da Universidade do Bornéu e principal autor do estudo, admitiu que a relação entre os morcegos da espécie Kerivoula hardwickii e a planta carnívora da espécie Nepenthes rafflesiana elongata foi uma descoberta “totalmente inesperada”.
“Existem muitos mutualismos [interacções entre duas espécies que se beneficiam reciprocamente] animal-planta mas, neste caso, é o animal que dá um nutriente à planta. Normalmente é ao contrário”, explicou à Reuters.
O estudo começou quando os investigadores procuraram saber como é que a planta – que pode crescer até aos dez metros e que tem recipientes de 25 centímetros – conseguia obter o nitrogénio necessário nas florestas tropicais do Bornéu, pobres em nutrientes. Além disso, estudos anteriores revelaram que esta planta captura sete vezes menos insectos do que outras carnívoras no Bornéu.
A equipa de Grafe foi surpreendida ao descobrir que uma espécie de morcego, que pesa cerca de quatro gramas, escolhe de forma consistente aquelas plantas para dormir durante o dia, em detrimento de outras alternativas de locais de repouso. À noite sai à caça de insectos. Em vez de obter o nitrogénio consumindo os morcegos, as plantas obtêm-no através das fezes e urina que estes mamíferos lá deixam.
Notícia completa em Ecosfera
sábado, janeiro 09, 2010
Menino do Lapedo - Leiria
Tanto Zilhão como Trinkaus protagonizaram desde o achado do Lapedo uma acesa discussão na comunidade científica internacional ao defenderem que a criança provava que Neandertais e os primeiros homens modernos não só coexistiram como procriaram. E que aquele achado era a prova disso.
Do outro lado da barricada estão outros nomes sonantes da arqueologia, como os espanhóis Juan Luis Arsuaga, co-director de investigação da importante jazida fóssil da serra de Atapuerca, em Espanha, e Carles Lalueza-Fox, da Universidade de Barcelona, que afirmam que, mesmo sendo mestiça, a criança do Lapedo não prova nada em relação à evolução do homem moderno. E continuam a acreditar que os Cro-Magnons, os primeiros homens modernos, substituíram por completo os Neandertais, sem miscigenação. A revista PNAS foi, aliás, palco da publicação de vários artigos sobre este lado da discussão.
Mas Zilhão e Trinkaus voltam agora ao ataque: "Esta nova análise dos dentes da criança do Abrigo do Lagar Velho [sítio onde foi encontrado] traz um conjunto de informação nova e mostra que estes primeiros homens modernos não eram tão modernos como isso", diz João Zilhão. A equipa descreve que os dentes da frente da criança eram muito subdesenvolvidos para serem considerados de um homem moderno. E que tinham uma formação diferente da dos homens modernos, com mais dentina, o tecido logo abaixo do esmalte do dente, e com mais polpa, a parte nervosa responsável pela nutrição do dente. Tinham também muito menos esmalte.
"O estudo confirma que a anatomia da criança do Lagar Velho, nomeadamente a dentição, não coincide com os primeiros ou com os mais recentes homens modernos e só se encontra entre os Neandertais", insistem os investigadores.
A criança do Lapedo, que teria quatro a cinco anos à altura da morte, datada de há 30 mil anos, é um tesouro para a arqueologia na medida em que tem 90 por cento do esqueleto intacto. A análise aos dentes foi feita com recurso a microtomografia e reconstrução tridimensional, diz a equipa no artigo.
Adornos milenares
No mesmo número da PNAS, João Zilhão assina um segundo artigo sobre um tema que tem fascinado a arqueologia: quando é que a humanidade começou a usar adornos, jóias e maquilhagem?
Em 2006, uma equipa britânica descobriu na Argélia vestígios de conchas para fazer colares com 100 mil anos.
Mas Zilhão afirma neste novo artigo que estas manifestações de pensamento simbólico eram partilhadas com os Neandertais chegados à Europa, depois de ter descoberto vestígios de adornos e de pigmentação para uso ornamental numa jazida espanhola datada de há 50 mil anos.
In Público
quarta-feira, setembro 16, 2009
Consumo de drogas tem impacto nas células da placenta e reforça alerta às grávidas
Fátima Martel e Elisa Keating, investigadoras do Laboratório de Bioquímica da FMUP, recorreram a placentas de mulheres que tiveram os filhos no Hospital de S. João. Num estudo feito em cultura de células, prepararam as amostras e expuseram-nas a drogas, desde o tabaco às anfetaminas, passando pelo álcool, tetrahidrocanabinol (princípio activo do haxixe) e pelo ecstasy. Constatou-se que a redução do transporte celular do ácido fólico pode atingir os 40 por cento no caso das anfetaminas e do haxixe (25 por cento no álcool e no tabaco e 30 por cento no ecstasy).
A carência de ácido fólico – um suplemento desta vitamina é aconselhado às mulheres que estão a tentar engravidar e durante os primeiros meses de gestação – está associada a riscos para o feto que se traduzem em graves problemas do desenvolvimento neurológico (como a anencefalia ou a espinha bífida) ou no baixo peso do recém-nascido.
As grávidas que fumam ou bebem devem reforçar o suplemento? “Não sabemos. Sabemos que não devem fumar nem beber”, diz Fátima Martel. Nesta pesquisa, foi avaliado ainda o impacto do uso de fármacos (como anti-hipertensores) durante a gestação, concluindo-se que estes não interferem no transporte do ácido fólico. Perceber se a diabetes afecta a captação desta vitamina é o próximo passo da pesquisa.
Notícia publicada em Público
Consumo de drogas tem impacto nas células da placenta e reforça alerta às grávidas
Fátima Martel e Elisa Keating, investigadoras do Laboratório de Bioquímica da FMUP, recorreram a placentas de mulheres que tiveram os filhos no Hospital de S. João. Num estudo feito em cultura de células, prepararam as amostras e expuseram-nas a drogas, desde o tabaco às anfetaminas, passando pelo álcool, tetrahidrocanabinol (princípio activo do haxixe) e pelo ecstasy. Constatou-se que a redução do transporte celular do ácido fólico pode atingir os 40 por cento no caso das anfetaminas e do haxixe (25 por cento no álcool e no tabaco e 30 por cento no ecstasy).
A carência de ácido fólico – um suplemento desta vitamina é aconselhado às mulheres que estão a tentar engravidar e durante os primeiros meses de gestação – está associada a riscos para o feto que se traduzem em graves problemas do desenvolvimento neurológico (como a anencefalia ou a espinha bífida) ou no baixo peso do recém-nascido.
As grávidas que fumam ou bebem devem reforçar o suplemento? “Não sabemos. Sabemos que não devem fumar nem beber”, diz Fátima Martel. Nesta pesquisa, foi avaliado ainda o impacto do uso de fármacos (como anti-hipertensores) durante a gestação, concluindo-se que estes não interferem no transporte do ácido fólico. Perceber se a diabetes afecta a captação desta vitamina é o próximo passo da pesquisa.
Notícia publicada em Público
segunda-feira, setembro 07, 2009
Estromatólitos nos Andes
Formas de vida mais antigas descobertas nos Andes
por PATRÍCIA JESUSHoje
Uma equipa argentina descobriu, em lagos dos planaltos andinos, estromatólitos "vivos". Durante muito tempo, estas estruturas foram a principal manifestação da vida na Terra. Actualmente, são raras e esta é a primeira vez que são encontradas a mais de 3600 metros de altitude, num ambiente extremo, parecido com o que existia depois da formação do planeta.
A 4000 metros de altitude, no deserto de Puna de Salta, nos Andes argentinos, o oxigénio escasseia e as lagunas têm uma concentração de sal tão grande que se torna complicado mergulhar. Mas foi nestas águas cristalinas que os cientistas encontraram um ecossistema único, com estromatólitos "vivos". Um ecossistema que pode ajudar a compreender o princípio da vida na Terra... e no espaço.
Os estromatólitos são estruturas construídas por bactérias. Os mais antigos datam de há 3 500 milhões de anos, pouco tempo depois (em termos geológicos, pelo menos) da formação do planeta - são portanto os primeiros vestígios da existência de vida na Terra. Actualmente, existem apenas algumas destas estruturas vivas e em construção, em ambientes hipersalinos da Austrália, Chile e México.
María Eugenia Farías, directora do Laboratório de Investigação Microbiológica das Lagunas Andinas (LIMLA), compara estes sistemas a uma central de produção de energia em miniatura e muito arcaica: as algas fazem a fotossíntese e absorvem o dióxido de carbono; as bactérias reciclam os nutrientes minerais e o processo fica completo com a libertação de oxigénio. "Foram estes microorganismo extremófilos [capazes de sobreviver em condições extremas] e outros semelhantes que criaram a nossa atmosfera, rica em ozono, e permitiram o aparecimento de formas mais complexas de vida", explicou a bióloga, em declarações ao jornal espanhol El Mundo.
Os estromatólitos descobertos na laguna de Socompa distinguem-se porque sobrevivem a uma altitude superior a 3600 metros, expostos a uma forte radiação ultravioleta. Ou seja, num ambiente muito parecido com o que existia na Terra no início, pensam os cientistas.
Para a investigadora argentina, no entanto, estas lagunas não são apenas janelas para o passado, são sobretudo portas para o futuro. "O estudo destes fósseis vivos permite recriar os processos que intervieram na criação da vida na Terra. E pensar na existência de organismo semelhantes em outros planetas. O deserto de Atacama e nas lagunas salgadas são dois ambientes extremos, parecidos com o planeta Marte", explica a bióloga argentina.
O projecto que María Eugenia Farías dirige desde 2003 tem como objectivo procurar formas primitivas de vida, mas a investigadora acredita que o estudo dos estromatólitos pode trazer outros benefícios para a vida na Terra: através de aplicações práticas na produção de plásticos biodegradáveis ou de ingredientes para cosméticos.
Para a investigadora, que aprendeu a mergulhar nos recifes de coral australianos, este trabalho trouxe outro desafio. "Mergulhar nas lagunas de Puna é mais arriscado. A água é fria e devido à concentração de sais é necessário um duplo lastro para conseguir chegar ao fundo", conta.
terça-feira, julho 28, 2009
terça-feira, julho 07, 2009
Macroalgas
"Contribution for the Knowledge of the Marine Macroalgae of Portuguese Coast"

Having a coastline longer than 800Km, a fact wich greatly has determined the historical perspective from which Portugal has evolved, one would expect the study of seaweeds to be well developed. However, this is not the case, and the latest global work on identification and inventory of seaweeds of the Portuguese coast, was published in 1970.
Considering this problem, a wide project was established: "Contribution for the Knowledge of the Marine Macroalgae of Portuguese Coast", in wich this online resource is included.
With the database we intend to organize and mantain the information collected from several field trips on a digital support. This brings a tremendous advantage on the flexibility, speed and easyness of accessing the information.
In a time when we witness the consolidation of Internet as a privileged mean of obtaining information on every possible subject, we intend, by making the information of the database available online, to contribute with a useful resource to all those who are interested in this area of knowledge.
sábado, junho 06, 2009
Código genético não é universal e pode evoluir em raros casos
| Diferentes formas do fungo Candida albicans |
Um consórcio internacional liderado por investigadores do Broad Institute – Instituto conjunto da Universidade de Harvard e do MIT – que integra um grupo de investigadores da UA e do seu Laboratório Associado, o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), publica um artigo na revista «Nature» com os resultados de um estudo que apresenta a sequenciação e anotação dos genomas de oito fungos patogénicos.
A investigação mostra como oito fungos patogénicos interagem com o sistema imunitário e como causam infecção, revelando, ainda, características fundamentais dos seus genomas que permitem compreender a sua ecologia, mecanismos de reprodução e adaptação.
“Muitas vezes, o código genético é confundido com o genoma, mas são diferentes”, relembra Manuel Santos. O investigador assinala ainda ao «Ciência Hoje» que “o primeiro corresponde a um conjunto de regras bioquímicas que define como a informação contida no DNA é traduzida para a que está contida nas proteínas”.
O artigo explica como é possível alterar o código genético e é aqui que surge uma violação desse dogma da Biologia, ou seja, uma das teorias desta ciência “diz que o código genético é universal, não pode evoluir e caso aconteça poderá ser letal, mas este estudo invalida esta afirmação”, reiterou o investigador da UA.
No código genético, a informação distribui-se num conjunto de três letras ao qual se chama codão e, por exemplo, o CTG é lido como leucinas (células que lêem as proteínas) e “se houver uma troca altera-se o significado, tal como num texto”.
Casos raros
No entanto, Manuel Santos assinala que “acontece apenas em casos raros” e “levanta muitas questões”. As proteínas quando sintetizadas “são alteradas”. Por exemplo, nas células humanas verificam-se dois genomas: “o nuclear, que contém todos os genes que nos formam e o mitocondrial, muito mais pequeno e onde se pode observar uma alteração ao código genético, embora diferente da dos fungos”, refere.
| Células do fungo vistas a microscópio |
Para o docente da UA, esta alteração não é novidade, mas sim o facto de se poder explicar a forma como evolui. “Para entender este código químico é necessário conhecê-lo, tal como um código Morse ou Braille”.
A análise dos fungos em estudo relevou que os codões CUG, que no código genético dos outros seres vivos codificam o aminoácido leucina, alteraram a sua identidade para o aminoácido serina. Os resultados mostram que 99 por cento dos codões CUG originais desapareceram destes genomas e que reemergiram em novas posições nos genes com um significado diferente. Por último, o estudo revê o catálogo dos genes do principal fungo patogénico Candida albicans, identificando inúmeros genes novos.
O artigo publicado reporta os fungos do género Candida como sendo a maior causa de infecções fúngicas oportunistas a nível mundial, fala das sequências dos genomas de oito espécies e compara-os destacando os patogénicos e não patogénicos.
Nos primeiros existe uma expansão significativa no número de genes que codificam componentes das paredes celulares e de proteínas excretadas, bem como de outras proteínas envolvidas no transporte de nutrientes do meio ambiente para o interior das células, o que sugere adaptações associadas à patogénese nestes fungos.
“Em três das espécies diplóides grandes regiões do genoma são homozigóticas, sugerindo recombinação recente dos seus genomas. Surpreendentemente, em algumas das espécies não foi possível encontrar vários dos componentes que controlam o mecanismo de divisão celular, o que levanta novas questões sobre a maneira como estes fungos se produzem”, pode ler-se no artigo.
quarta-feira, abril 08, 2009
Parabéns Jane Goodall

Parabéns e que permaneça entre nós por muitos e bons anos!
Informação em Ecosfera (Público)
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Dúvida: qual o propósito das bossas dos camelos?
|
Podem ainda ler o artigo da Nature, de 1965:
P. O'B. MONTGOMERY, C. T. ASHWORTH & PIERRE FONTAIN
sábado, maio 12, 2007
Sangue de plástico?
Cientistas britânicos desenvolveram sangue artificial a partir do plástico, que afirmam ser leve, fácil de transportar e não necessitar de refrigeração, o que será útil em zonas de conflitos ou guerras, anunciaram sexta-feira investigadores da Universidade de Sheffield. O novo sangue é feito com moléculas de plástico que têm um átomo de ferro no centro, que pode transportar oxigénio pelo corpo, de acordo com afirmações dos cientistas no site da cadeia britânica BBC.
Por não precisar de refrigeração, pode ser conservado durante mais tempo, o que aumenta as vantagens de poder ser usado como substituto do sangue natural em cenários de conflito. Afirmam ainda os cientistas que a sua produção pode ser barata, estando os investigadores a tentar conseguir mais verbas para desenvolver um protótipo final que seria adequado para testes biológicos.
Uma amostra deste sangue artificial deverá ser exibida no próximo dia 22 de Maio, no Museu da Ciência, em Londres, integrada numa exposição sobre a história do plástico. "Estamos bastante animados com o potencial deste produto e com o facto de que poderá vir a salvar vidas", afirmou Lance Twyman, do Departamento de Química da Universidade de Sheffield, citado pela BBC.
"Este produto pode ser guardado de forma mais fácil do que o sangue e isto significa que grandes quantidades podem ser levadas facilmente por ambulâncias ou por forças armadas", acrescentou.
Artigo em: Ciência Hoje


