sábado, março 10, 2007

Existência de água em Marte pode não ser tão óbvia como se pensa

Outro artigo do jornal Publico, neste caso sobre a possibilidade de existência de ága em Marte:

Os vestígios de água podem ter sido só causadas por chuvas depois evaporadas

Um estudo hoje publicado pela revista "Nature" afirma que a presença de depósitos sedimentares em Marte, nomeadamente de sulfatos, não significa forçosamente que tenham resultado de uma longa estagnação de água em lagos ou oceanos. A existência de sedimentos na região de Meridiani Planum, detectada pelo robô norte-americano Opportunity, foi considerada por alguns cientistas como prova da presença de massas de água naquele local durante períodos muito longos. Mas, como explica na "Nature" a equipa de Jeffrey C. Andrews-Hannant, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) de Cambridge, esses sedimentos poderão ter sido deixados por água em movimento que se evaporou. Através de modelos das possíveis redes hidrológicas de Marte, os investigadores concluíram que na zona de Meridiani Planum se teriam depositado sedimentos importantes por evaporação de massa líquida em movimento. Na sua perspectiva, essa água teve origem em precipitações e criou lençóis subterrâneos de onde foi expelida durante a formação da cadeia vulcânica de Tharsis. "Este processo é análogo, embora numa escala muito mais importante, à ejecção de água de sedimentos em meio terrestre quando há compressão de terrenos após grandes infiltrações de água", escrevem os cientistas na revista.

Num comentário que acompanha o estudo, Victor Baker, da Universidade do Arizona, em Tucson, afirma que "as simulações (destes cientistas) resolvem o mistério dos minerais provenientes da evaporação de um líquido num sítio como Meridiani Planum, onde não existe uma bacia topográfica que teria facilitado a evaporação", já que se trata de uma zona inclinada.

Sobre estas águas pluviais que entram na terra em regiões de alta altitude e saem mais abaixo em regiões como Meridiani Planum, o autor interroga-se sobre se os lençóis subterrâneos assim formados não terão contido organismos vivos , como aconteceu na Terra em Rio Tinto, no sudoeste de Espanha.

Artigo em: Público

Massacre de pinheiros para conter uma praga...

Vem noticiado no jornal Público, o corte de pinheiros saudáveis para criar uma zona de contenção de uma doença provocada por um nemátode (um ser de pequenas dimensões, do mesmo filo que as lombrigas).

Reproduzo um excerto desse artigo:
«Para criar um perímetro de segurança sanitário em volta da área afectada pelo nemátodo do pinheiro que, desde 1999, permanece imbatível a destruir árvores no distrito de Setúbal e está já a entrar pelo Alentejo adentro, foi decidido criar uma faixa de contenção, com três quilómetros de largura e que se estende por 430 quilómetros, de Sines a Vila Franca de Xira. A obrigação é comunitária e o objectivo é tentar erradicar o problema de vez. Mas, no terreno, a tarefa não está a ser fácil. No Oeste, longe da praga, em área de minifúndio e queixando-se de falta de informação, muitos dos proprietários souberam que iriam ficar sem os seus pinheiros quando já os viram no chão. Até final deste mês, o Estado tem que garantir que todos os pinheiros bravos existentes nessa faixa são retirados para tentar criar uma zona tampão que impeça o avanço do problema para norte do Tejo, onde se concentram as grandes manchas de pinhal bravo.»

Estão em curso medidas de combate a este parasita, nomeadamente:
-Abater e remover as árvores com sintomas, previamente identificadas.O material a abater é medido e classificado em função do seu estado fitossanitário.

- Tratamento dos cepos.
Os cepos resultantes do abate são devidamente tratados.

- Destruição dos sobrantes.

Os sobrantes da exploração são eliminados.

(fonte: Ministério da Agricultura)

Para saber mais: Programa Nacional de Luta Contra o Nemátode da Madeira do Pinheiro

Então o quem é este ser que tantos problemas está a trazer aos proprietários de explorações de pinheiros?
Este é o nemátode Bursaphelenchus xylophilus...

Fonte: http://www.foretinfo.net/themen/waldschutz/invasive_neue_arten/
lwf_kiefernholznematode_2004_DE



Aspecto de um pinhal com este nemátode

Fonte: http://www.unipd.it/esterni/wwwfitfo/immagini/bursa-danni.jpg

Fonte: http://nematode.unl.edu/bxyloph.htm

quinta-feira, março 08, 2007

Sem nada para fazer...

Estava sem nada que fazer na escola quando pensei: que tal ir com os meus colegas a uma acção sobre blogues? Boa ideia e fui.. com os outros professores!
Criamos um blog fabuloso, a não perder!
http://hipocomtedio.com.sapo.pt (página pessoal)

Equipa de Professores que fizeram a viagem ao conhecimento e aprenderam a blogar...


quarta-feira, março 07, 2007

E o lixo electrónico em Portugal?

Frigoríficos, telemóveis, jogos de computador, lâmpadas e todo o tipo de electrodomésticos usados podem agora ser entregues nos ecocentros e enviados para a reciclagem. Ao comprar um novo equipamento eléctrico e electrónico, o cidadão pode ainda exigir ao distribuidor que fique com o velho sem ter de pagar mais. A medida foi decretada pelo Instituto dos Resíduos enquanto não são licenciadas as empresas que vão gerir o circuito dos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE).
(...)
... também é possível exigir aos distribuidores, como por exemplo hipermercados, que fiquem com o aparelho velho na compra de um novo. Francisco Barracha admite que haja empresas de distribuição a cobrar um custo por este serviço, mas lembra que o cidadão pode exigi-lo gratuitamente. "Se isso não acontecer, o consumidor pode reclamar junto da Inspecção-Geral do Ambiente", acrescentou.
(...)
Trata-se de um processo que será suportado por um ecovalor, taxa que será adicionada ao preço do produto. Mas, por exemplo, o ecovalor de um frigorífico será mais elevado porque o tratamento das substâncias perigosas que contém é mais dispendioso do que noutro aparelho. O custo deste ecovalor servirá para financiar o processo de recolha, triagem e reciclagem dos REEE. Ainda não é possível determinar quanto é que o ecovalor vai encarecer o produto colocado no mercado e pago pelo consumidor.

O objectivo é responsabilizar os produtores e consumidores destes equipamentos pelo tratamento dos resíduos que produzem. O valor do equipamento encarece, mas garante-se que, após a sua morte, é enviado para a reciclagem.

Artigo completo em: DN Online

Aliança de empresas contra o lixo electrónico!

Finalmente as grandes marcas começam a aperceber-se das toneladas de lixo informático que as sociedades ditas desenvolvidas produzem!

Nova aliança para combater as montanhas de lixo eletrônico
Terça-feira 6 de Março, 2007 3:43 GMT18

Por Alister Doyle

OSLO (Reuters) - Uma nova aliança liderada pela ONU determinará diretrizes mundiais para a disposição de produtos, a fim de proteger o meio ambiente contra as montanhas de lixo eletrônico como computadores, celulares e televisores que são descartados, anunciou o grupo na terça-feira.

Três agências da ONU, 16 empresas --entre as quais Microsoft, Hewlett-Packard e Philips --, diversas organizações governamentais e universidades anunciaram uma parceria com objetivos como promover mais reciclagem e ampliar a vida útil dos produtos eletrônicos.

"Existe uma urgente necessidade de harmonizar as abordagens quanto ao lixo eletrônico, em todo o mundo", disse Rüdiger Kühr, da Universidade da ONU, que comandará o secretariado do novo projeto StEP (Solving the E-waste Problem), em Bonn, Alemanha.

Ele disse à Reuters que os detritos eletrônicos --como fornos de microondas, baterias, copiadoras ou secadores-- podem liberar toxinas caso sejam incinerados.

Os aparelhos mais antigos contêm produtos químicos venenosos como toxinas ou metais pesados como o mercúrio e o cádmio.

Alguns produtos contêm metais valiosos como ouro, platina ou o índio, usado em televisores de telas planas, ou rutênio, usado em resistores. Os preços do índio, por exemplo, saltaram de 70 dólares por quilo em 2002 a 725 dólares por quilo atualmente.

Os detritos elétricos e eletrônicos estão entre as categorias de lixo de mais alto crescimento no mundo, e em breve devem atingir a marca dos 40 milhões de toneladas anuais, o suficiente para encher uma fileira de caminhões de lixo que se estenderia por metade do planeta, segundo o StEP.

O programa administrará diversos projetos, nos próximos anos, com custo provável da ordem de milhões de dólares, a fim de determinar diretrizes para a disposição de aparelhos, tomando por base a legislação de lugares como o Japão, a União Européia e os Estados Unidos.

O programa encorajará as empresas a fabricar produtos com vida útil mais longa e a fabricar produtos que possam ser atualizados, em lugar de substituídos e jogados no lixo. O secretariado terá três funcionários em período integral e terceirizará a maior parte de seu trabalho.

Ver artigo em: Reuters Brasil
Fotografia original de: Californians Against Waste

Imagem 3D de uma célula eucariótica

Cientistas produzem a primeira imagem 3D de alta resolução de uma célula eucariótica

:: 2007-03-07 Por Tradução de João Carvas *

Como no nosso corpo, todas as células possuem um esqueleto que lhes dá a forma, confere rigidez e protege o seu frágil meio interno. O citosqueleto é formado por longos filamentos proteícos que formam redes cuja arquitectura global e detalhe apenas podem ser revelados com imagens de microscopia de alta resolução. Investigadores do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL) em colaboração com a Universidade do Colorado obtiveram a primeira visualização 3D de uma células eucariótica completa, numa resolução suficientemente alta para "resolver" a distribuição do citoesqueleto na levedura. A imagem deste organismo unicelular foi publicada na edição desta semana da revista Developmental Cell e revela interessantes detalhes sobre a estrutura mais fina do citoesqueleto bem como das suas interacções com outras partes da célula.

* João Carvas é estudante de doutoramento em Friburgo e traduziu este artigo da Developmental Cell de ontem, 6 de Março.


Ver atigo completo em: Ciências Hoje

segunda-feira, março 05, 2007

Eclipse lunar!

Ontem ocorreu o eclipse da nossa companheira de viagem espacial - a Lua. Em virtude do local onde me encontrava não ser possível observá-lo, coloco aqui um fotografia do professor Fernando Martins, grande entusiasta dos céus e das rochas.
Assim, todos os créditos da foto que vou publicar são dele. Obrigada Fernando Martins!

Para ver mais é clicar em Geoleiria ou Astroleiria e toda a reportagem, com fotografias, sobre os momentos vividos na Escola Rodrigues Lobo. A não perder!

Foto digital de Fernando Martins - directamente sobre a ocular do newtoniano, com filtro amarelo

Eclise lunar!

Ontem ocorreu o eclipse da nossa companheira de viagem espacial - a Lua. Em virtude do local onde me encontrava não ser possível observá-lo, coloco aqui um fotografia do professos Fernando Martins, grande entusiasta pelos céus e pelas rochas.
Assim, todos os créditos da foto que vou publicar são dele. Obrigada Fernando Martins!

Para ver mais é clicar em Geoleiria ou Astroleiria e toda a reportagem, com fotografias, sobre os momentos vividos na Escola Rodrigues Lobo. A não perder!

Foto digital de Fernando Martins - directamente sobre a ocular do newtoniano, com filtro amarelo

domingo, março 04, 2007

Um momento de descontração...

Após a emoção do eclipse lunar, uma canção dos meus tempos [loucos] em Coimbra, como estudante.
How Bizarre, dos OMC (grupo Neozelandês) .


sexta-feira, março 02, 2007

Novas imagens de Saturno!

Sonda Cassini capta novas imagens de Saturno
01.03.2007 - 22h38 PUBLICO.PT


A sonda Cassini, da Agência espacial norte-americana, captou imagens nunca antes vistas de Saturno, de uma perspectiva diferente, revelou hoje a NASA.

“Finalmente, aqui estão as imagens que esperávamos há anos”, comentou Carolyn Porco, responsável pela equipa de imagem no Instituto de Ciência Espacial em Boulder, no Colorado.

“Movendo-nos acima de Saturno e vendo os anéis a espalhar-se por baixo de nós como um anel gigante é como explorar um mundo estranho que nunca vimos”, acrescentou, num comunicado divulgado pela NASA. “Simplesmente, não parece o mesmo lugar”.

As imagens foram captadas nos últimos dois meses e foram divulgadas hoje.

A sonda está, progressivamente, a aproximar-se do planeta, três anos depois de ter entrado na sua órbita.

A missão Cassini-Huygens é fruto de uma cooperação entre a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana.


Artigo em: Público

Site da Nasa sobre a missão Cassini-Huygens

quinta-feira, março 01, 2007

Novo Boloseimas!

Atenção!

O boloseimas está remodelado. Um mimo de gulodice!
Provem no sítio: Boloseimas

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Saiu a National Geographic de Março

Saiu a National Geographic portuguesa!
A capa é dedicada a um drama da vida selvagem: a destruição mesquinha do maior mamífero terrestre - o elefante. Poder-se-ia pensar que este drama é menor em relação a outras dramas (humanos) que ocorrem por toda a África e restante planeta. No entanto, é o simbolismo da luta de um inocente contra o capitalismo e a vaidade das pessoas.

Ver sumário em: National Geographic Portugal

Reportagens que podem ser lidas:
  • Parque Nacional de Zakouma
  • Tubarões das Bahamas
  • Morte das Estrelas
  • Rocha do Tempo


Rocha do Tempo

Nas regiões recônditas do planalto do Colorado, o tempo mantém-se quase imóvel. Ano após ano, a erosão aprofunda ligeiramente os canyons. Os anos húmidos engrossam as ervas esparsas e os anos secos fazem-nas mirrar. Texto de Mike Edwards; Fotografias de Frans Lanting

Basta alterar a escala temporal, da dimensão humana para a dimensão geológica, para que a história destas paisagens rochosas deixe de representar uma leve alteração e passe a constituir uma mudança profunda, provocada por centenas de milhões de anos de evolução. Os geólogos costumam falar em tempo profundo quando se referem aos longos períodos durante os quais as forças mais subtis conseguem alterar dramaticamente uma paisagem. A região dos canyons é um exemplo do tempo profundo. Era após era, o planalto do Colorado foi crescendo como um bolo de camadas de arenito, calcário, argilito e xisto argiloso. Estes estratos, criados por mares, rios e ventos e depois comprimidos pelo tempo, foram içados, afundados e elevados por violentas forças tectónicas. Os vulcões espalharam lava sobre eles, o vento e as águas atacaram-nos e uma das mais acessíveis lições de geologia do planeta tomou forma. Há mais de um século, os geólogos começaram a registar as origens dos estratos que se exibem nas paredes dos canyons e das mesas. Com uma idade aproximada de 180 milhões de anos, o arenito Navajo formou-se ao longo de 15 milhões de anos, camada após camada, resultando da deposição de areias sopradas pelo vento. Em certos lugares, o depósito atinge mais de 600 metros de espessura, colorido por óxidos de ferro. De onde surgiu tão grande quantidade de areia? Tanto quanto parece, uma enorme quantidade terá vindo das montanhas dos Apalaches, bem longe a leste. O geólogo Jeffrey Rahl e os seus colegas descobriram pistas sobre a sua origem em minúsculos cristais de zircão conservados no arenito. Os isótopos radioactivos presentes nos zircões do arenito Navajo condizem com os dos zircões dos Apalaches, montanhas que, em tempos recuados, eram tão altas como os Alpes. Presume-se que a areia arrancada a estes picos pela erosão fosse transportada rumo a oeste pelos rios para depois ser levantada pelos ventos até formar uma fantástica pilha de areias. A zona planáltica da América do Norte foi migrando e ganhando forma em latitude mais a norte, à velocidade de alguns milímetros por ano, até ocupar o lugar onde hoje se encontra. Existem poucos testemunhos de vida no arenito Navajo. Porém, há cerca de 160 milhões de anos, numa fase tardia do Jurássico, começou a tomar forma uma nova paisagem, um cenário composto por florestas, rios, pântanos e mares interiores, no qual surgiram dinossauros, crocodilos, lagartos marinhos gigantes e tubarões. Fósseis destes monstros salpicam as formações geológicas de sedimentos argilosos e calcários. Perto da estrada, no Monumento Nacional Grand Staircase–Escalante, uma vertente revela a transição da época de areias secas para os ambientes húmidos do Jurássico tardio e do Cretácico, nos quais a vida prosperou. Por cima da camada de arenito, é visível um leito de carvão, a reminiscência de um pântano. E, por cima desta, pode ainda observar-se uma faixa de areia misturada com argila, fortemente comprimida, que representa a orla costeira de um mar em expansão. Sobre ela, vale ainda a pena contemplar um leito de ostras fossilizadas (repletas de pérolas fósseis, segundo se afirma), formado depois de a modificação da orla costeira ter gerado uma baía. Leia o artigo completo na revista.


terça-feira, fevereiro 27, 2007

Meio milhar de jovens geocientistas discute “Terras ao Sol"

Meio milhar de alunos de 23 Escolas Básicas e Secundárias de todo o País vão participar no II Congresso dos “Jovens Geocientistas - Terras ao Sol”, que decorrerá nos próximos dias 19 e 20 de Março no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.


Artigo completo em: Ciência Hoje

A Ética de uma ovelha

Carta de Friburgo

:: 2007-02-27 Por João Carvas (estudante de doutoramento no Laboratory of Vascular Biology da Fribourg Medical Faculty, Friburgo, Suíça)

Durante a semana passada cumpriu-se o quarto aniversário da morte da ovelha Dolly, clonada pelos cientistas Keith Campbell e Ian Wilmut. Através da transferência do núcleo de uma célula não reprodutiva (somática) - neste caso da glândula mamária - para um óvulo enucleado, e sua posterior transferência para um útero progenitor foi possível clonar pela primeira vez um mamífero. Dolly acabou por ser abatida prematuramente depois de um aparente envelhecimento precoce, cujas razões ainda são motivo de controvérsia na comunidade científica.

Com o nascimento da Dolly, a ciência confrontou-nos com a possibilidade real da clonagem de seres humanos e depois dela muitos outros mamíferos foram clonados com sucesso. A primeira resposta dos sistemas políticos à mediática Dolly foi a proibição da clonagem em humanos sem apelo nem agravo, não distinguindo entre clonagem reprodutiva e clonagem para investigação biomédica. Preocupa-me este repentino afastamento entre a sociedade e o conhecimento, mas também a sua utilização incorrecta.

Hoje, a ciência está sob suspeita no tocante à investigação genética, à clonagem e aos alimentos transgénicos, o mais das vezes sem que este receio tenha uma base racional. É constante o afluxo de "notícias choque" e de textos alarmistas advertindo o leitor para os perigos da pesquisa genética, por exemplo, e dizendo que o cientista se pretende substituir a Deus.

A toda esta desconfiança, acrescenta-se um fascínio paradoxal, que exige da ciência a resposta para todos os grandes desafios e ameaças da humanidade. Depois de Copérnico retirar o Homem do centro do universo e Darwin o obrigar a pôr-se ao nível dos outros seres que habitam o planeta, abriram-se duas feridas profundas no ego humano. Inconscientemente estas ainda hoje produzem certa angústia no Homem.

Onda de creacionismo

É daqui que parte alguma da hostilidade em relação à ciência e aos cientistas, e alguma anti-ciência onde pulula o relativismo cognitivo e cultural e que conta com uma grande mediatização. Veja-se a emergência nos EUA de uma onda de defensores do creacionismo, agora pomposamente chamado "desenho inteligente" por oposição à teoria da evolução de Darwin, testada e validada todos os dias pela comunidade científica.

Muito do que sai destas áreas arrepia-se perante conceitos como "realidade", "objectividade" e "verdade", que são a essência da ciência e também do jornalismo científico. Assim, privilegiam o intuitivo, o místico, o marginal, abrindo alas para as astrologias e o ocultismos, temas demasiado frequentes na nossa comunicação social.

Será então que o conhecimento científico é perigoso? Podemos dizer que ao longo da história há uma tendência para associar o conhecimento ao mal. Nas fundações do Cristianismo está a proibição de Adão e Eva se alimentarem dos frutos da árvore do conhecimento. Na mitologia grega, Prometeu foi castigado por ter oferecido aos mortais o fogo roubado dos deuses. Mesmo na literatura e no cinema modernos, a imagem do cientista é colada à de um insano que só produz monstros e catástrofes como o Dr. Frankenstein de Mary Shelley, que não olha a meios para saciar as suas curiosidades científicas.

uando se parte para a análise deste problema, convém diferenciar entre factos e valores, ou seja, entre ciência e ética. A ciência como actividade, não pode produzir ética, mas apenas descrever os fenómenos que estuda. Cabe então à ética avaliar o conhecimento gerado e as suas possíveis aplicações (tecnologia). Assim, temos a ciência (básica) – produtora de ideias, teorias – a tecnologia – produtora de objectos, bens, aplicações – e a ética, que regula o modo como se relacionam ciência e tecnologia.

Atrocidades nos campos de concentração

Apesar destas distinções, se quiserem um pouco artificiais, o cientista não está de maneira alguma isento de obrigações éticas. Pense-se, a título exemplar, no horror nazi sobre o sistema eugénico que pretendeu criar e que foi o primeiro passo para que alguns médicos cometessem verdadeiras atrocidades nos campos de concentração. Não houve neste caso o assumir de obrigações éticas.

Então, tendo em conta o nível de conhecimento da humanidade, e em oposição às posições anti-ciência pós-modernas, podemos afirmar que o conhecimento não só não é perigoso, como é intrinsecamente bom. Para o Homem, conhecer é tão importante como qualquer outra necessidade básica. Já a tecnologia, que deriva deste conhecimento pode ser nefasta.

Temos assistido nas últimas décadas a uma autêntica explosão do conhecimento nas ciências biológicas, mas a clonagem da ovelha Dolly e outras experiências científicas têm atraído a atenção dos media e da sociedade, levantando uma série de inquietações e problemas éticos. O preocupante é que sem qualquer reflexão se limite a produção de conhecimento, numa espécie de guerra preventiva contra os cientistas, não se procurando, isso sim, combater a má utilização desse conhecimento.

[Bibliografia: Tambosi, Orlando. É o conhecimento perigoso? Fronteiras entre ciência, tecnologia e ética. www.criticanarede.com] (jmcarvas@gmail.com]

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Despedida da Escola Dr. Correia Mateus



Bolo produzido integralmente pela minha mana (boloseimas)! Estava óptimo e foi comido até à última migalha!
Dino_geológico e os alguns alunos do 8ºF , em frente à Escola Dr. Correia Mateus, em Leiria.

Até sempre!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Eclipse Lunar

«Os portugueses vão poder assistir no primeiro sábado de Março, se as condições do céu o permitirem, ao primeiro eclipse total da Lua desde 2004, visível em toda a Europa, África e Ásia ocidental.

O fenómeno terá início às 21h30 (hora TMG e de Lisboa) de 03 de Março, depois da Lua entrar em penumbra às 20h18, e terminará à 01:20 dessa noite, com o eclipse total a ocorrer entre 22h44 e as 23h58, precisou à agência Lusa a astrónoma Albertina do Campo, do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).»

Ciência Hoje

Ainda sobre Plutão...

Plutão foi desclassificado em Agosto de 2006. De planeta passou a planeta anão, uma categoria nitidamente inferior. Esta decisão foi tomada no sentido de diminuir os possíveis candidatos a planetas, uma vez que foram descobertos vários corpos celestes, de dimensões semelhantes a Plutão e que, também deveriam ser assim classificados.
Antes de Agosto de 2006, planeta era um corpo celeste, sem luz pŕopria, que orbitam em torno de uma estrela! E agora? Qual a definição de planeta?

Remeto a resposta a esta questão para um artigo da Scientific American Brasileira, publicado no seu endereço electrónico.

«Planeta é o produto final da acreção de um disco ao redor de uma estrela. Essa definição se aplica apenas a sistemas maduros, como o nosso, em que a acreção já foi completada. Para sistemas mais jovens, os corpos maiores não são estritamente planetas, mas sim embriões planetários, e os corpos menores são denominados planetesimais.»
Artigo em Scientific American Brasil


A definição de planeta aprovada pela IAU é baseada na arquitetura observada do Sistema Solar, em que um pequeno número de corpos dominantes, os oito planetas, tem órbitas bem separadas, em comparação aos enxames de asteróides, cometas e objetos do cinturão de Kuiper, que são menores.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Parabéns avozinha!

A minha avó fez anos no domingo (18 Fevereiro). Este foi o bolo elaborado pela minha mana para o evento familiar!

Novidades para os gulosos...

Afinal os chocólatras (viciados em chocoloate) tinham razão. O chocolate além de grandes benefícios para os males que assolam os corações aprisionados, também é bom para o cérebro, isto segundo estudos recentemente divulgados. Eu já sabia que não fazia nada de errado quando colocava três colheres de chocolate no meu leite (loll).

Transcrevo o artigo publicado no sítio Ciência Hoje:

O chocolate, conhecido pelos seus benefícios cardiovasculares, faz igualmente bem ao cérebro, ao favorecer a circulação sanguínea cerebral, indicam dois estudos divulgados ontem.

A primeira investigação foi realizada por Ian MacDonald, da Universidade britânica de Medicina de Nottingham, em jovens mulheres saudáveis. O objectivo era identificar se uma bebida rica em flavonóide, uma substância anti-oxidante contida no cacau, estimula as funções mentais durante um teste.

Comparativamente a um grupo de mulheres que não consumiram flavonóide, a circulação sanguínea cerebral do grupo que consumiu aumentou durante um período de duas a três horas. Segundo os médicos responsáveis, a investigação mostra as potencialidades das bebidas ricas em flavonóides para o tratamento de pessoas idosas, que sofrem de demência ou que sofreram acidentes cerebrais.

Um segundo estudo liderado por Norman Hollenberg, da Universidade de Harvard, foi realizado em pessoas saudáveis com mais de 50 anos. Concluiu-se igualmente que há aumento do fluxo sanguíneo cerebral em pessoas que consomem bebidas ricas em flavonóides.

Esta investigadora estudou os efeitos do cacau nos índios Kuna, no Panamá, que consomem regularmente este alimento e não sofrem nem de hipertensão arterial nem de degenerescência cerebral. No entanto, Norman Hollenberg considerou que os efeitos do cacau sobre o cérebro devem continuar a ser estudados e verificados, nomeadamente através de ensaios clínicos mais aprofundados.

Artigo completo em: Ciência Hoje

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

HIV ataca as células humanas...

Artigo do Público, baseado num publicado na revista Nature.

«A imagem poderá tornar-se histórica. Mostra pela primeira vez, com uma nitidez atómica, a ligação entre dois inimigos: uma proteína do vírus da sida (HIV) - a famosa gp120 - e um raro anticorpo com provas dadas para neutralizar o HIV.

A proteína gp120 é como uma chave que abre ao HIV as portas das células do nosso sistema imunitário, ao encaixar-se nos receptores CD4 destas células. O anticorpo, chamado b12, é especial: encontra-se só no sangue de pessoas que sobrevivem há muito tempo com o vírus da sida no corpo.

Mas o que é que o anticorpo tem de diferente? Por que é mais eficaz face às artimanhas do vírus? A equipa de Peter Kwong, dos National Institutes of Health (NIH), EUA, que publica hoje os seus resultados na revista Nature, conseguiu finalmente responder a esta pergunta com imagens como esta espectacular fotografia 3D, obtida por cristalografia de raios X.


Primeira conclusão: o anticorpo b12 (a fita verde) liga-se à proteína gp120 do HIV (a vermelho) no mesmo local (a amarelo) onde se estabelece a primeira ligação do vírus com os receptores CD4. Ou seja, o alvo do anticorpo b12 é uma parte do HIV que se encontra particularmente vulnerável na altura em que o vírus ataca novas células.

Mas, ainda mais importante, é que a ligação com o anticorpo b12 deixa a proteína gp120 inalterada, podendo impedir o HIV de fintar o sistema imunitário. Há muito tempo que os especialistas procuravam um ponto fraco do HIV: uma região exposta e invariável do seu invólucro. "Esta é sem dúvida uma das melhores pistas [para o desenvolvimentos de vacinas contra o HIV] dos últimos anos", diz Gary Nabel, um dos elementos da equipa, citado por um comunicado dos NIH.»


Artigo original no
Público

Artigo Original da revista Nature

O espaço à distância de um clic!

Apresento dois links que me enviaram sobre a exploração espacial.

1) Vídeo "3 anos em Marte" - planícies de areia, esférulas de hematite,
análise de composição mineralógica de rocha, e... curiosa simulação na Terra
de uma duna arenosa marciana, para aprender mais sobre como tirar de lá o
robô atascado:


2) Vídeo interactivo "Titan", sobre a exploração da lua de Saturno ­ única
lua com núvens, leitos de rio, lagos de metano...

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Dia dos namorados...

Dois peixes Gourami trocam um beijo no Aquário de Xangai, na China, no Dia dos Namorados. Foto: Nir Elias/Reuters
In Público

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

SISMO!!!

A Terra tremeu em Portugal!
E desta vez foi sentido!
O nosso país situa-se perto de uma zona de colisão de placas tectónicas e, por isso, é frequente ser assolado por sismo. Raras são as vezes que estes são sentidos. Hoje foi uma dessas vezes!

O sismo teve de magnitude 6 (escala de Richter, que mede energia libertada no foco sísmico).
Em algumas regiões (Algarve), o sismo foi sentido com alguma forte, atingindo o valor de 5 graus na escala de Mercalli (que mede intensidades).


Alguns links a serem consultados sobre este sismo:

Instituto de Meteorologia (Portugal)

Centro Geofísico de Évora

Geopedrados

Instituto Geográfico Nacional (Espanha)

USGS


EMSC

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Revivendo a infância!

Revivendo a infância com Sir Paul MacCartney: We All Stand Together!

Novamente alimentos transgénicos...

Notícia da Scientific American Brasil!

Os ovos produzidos por galinhas geneticamente modificadas promete revolucionar a indústria dos medicamentos... e os cientistas garantem, após estudos em cinco gerações de aves (tanto estudo!!), a ausência de efeitos negativos. Vamos ver!

Ver artigo original em: Scientific American Brasil


O incrível ovo medicinal
Fevereiro

Por David Biello

O ovo de galinha tem uma história destacada na medicina. Mesmo hoje em dia, injeta-se o vírus da gripe em milhões deles para fabricar vacinas. Agora, cientistas do instituto Roslin, na Escócia (o mesmo que clonou a ovelha Dolly), produziram um galo geneticamente modificado cujas descendentes fêmeas põem ovos que produzem medicamentos no lugar de uma proteína na clara do ovo.

Helen Sang, do Instituto Roslin, e seus colaboradores usaram lentivírus para introduzir dentro de embriões um gene que ativa a produção de diversas drogas em vez da proteína ovalbumina, que em geral compõe cerca de 54% da clara. Os pesquisadores procuraram entre os frangos resultantes aquele que produzia o novo gene em seu sêmen. Depois, fizeram o cruzamento dele com galinhas normais para produzir novas aves que carregassem o gene inserido e produzissem medicamentos nas claras de seus ovos.

Testes com os ovos mostraram que elas podiam produzir o miR24 (anticorpo monoclonal usado no tratamento do melanoma) ou interferon b-1a (proteína do sistema imunológico usada contra esclerose múltipla, entre outros males) dependendo de qual gene fosse inserido. As galinhas produzem de 15 a 50 microgramas de medicamento por milímetro de clara, e embora isso não seja tão eficiente quanto a expressão da ovalbumina, é eficaz o suficiente para permitir a purificação subseqüente para drogas terapêuticas. "Esperávamos que o transgene não fosse tão eficiente quanto o gene endógeno no qual ele foi baseado, pois apenas alguns dos elementos regulatórios foram usados e o transgene pode ter sido inserido no cromossomo numa posição que não favorece a expressão máxima", observa Adrian Sherman, do Roslin, que também participou da pesquisa. "Estou certo de que há potencial para aperfeiçoamento."

Os ovos de galinha podem ter vantagens sobre outros produtos geneticamente modificados, como leite de cabra. As galinhas são fáceis de criar, produzem numerosos ovos e são baratas de manter. E após criar cinco gerações de aves modificadas, os pesquisadores não observaram nenhum efeito adverso à saúde, de acordo com um artigo publicado online em 15 de janeiro na Proceedings of the National Academy of Sciences USA.

Apesar de as proteínas terapêuticas terem funcionado como esperado em ensaios in vitro, levará anos para que o processo resulte em remédios para consumo humano, dizem os pesquisadores. As galinhas de Roslin somam-se a um esforço semelhante que emprega células tronco desenvolvidas pela Origen Therapeutics. Independentemente de qual "biofábrica" for a primeira a se tornar viável comercialmente, um novo uso medicinal para o venerável ovo está agora evidente.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Já saiu!!

Saiu a National Geographic de Fevereiro.



Podem ser encontradas as seguintes reportagens:

- Remendos e consertos do coração
- Florestas de maré
- A Maldição do Ouro Negro
- Vermes do Outro Mundo
- Majestade Desoladora

Recomendo a leitura d'A Madição do Ouro Negro, sobre as condições de exploração do ouro negro (petróleo) na Nigéria.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Sobre alimentos transgénicos!

Pouco ainda se sabe sobre os efeitos dos transgénicos na alimentação humana! Provavelmente demorará ainda alguns anos para que esses efeitos, se visíveis, manifestarem-se. Seja-se a favor ou contra a utilização de alimentos modificados geneticamente, todos temos o direito à informação e, como tal, é vital que a rotulagem dos alimentos manifeste a presença directa ou indirecta (como alimento de gado) de transgénicos.
Assim sendo a Greenpeace entregou uma petição à União Europeia onde solicita essa rotulagem.
Em baixo reproduzo o artigo do jornal "Publico" com essa notícia.

Em Portugal a defesa contra os trangénicos está a cargo da plataforma "Transgénicos fora do prato". Esta plataforma está a divulgar um comunicado sobre a experimentação de alimentos trangénicos no nosso país.
Comunicado

Artigo do jornal "Publico":
Greenpeace entregou petição com um milhão de assinaturas
União Europa admite alterar legislação sobre rotulagem de transgénicos
05.02.2007 - 19h18 Reuters

A União Europeia prometeu hoje estudar a possível alteração da legislação sobre rotulagem de produtos transgénicos, como ovos e carne, provenientes de animais alimentados com ração OGM. A Greenpeace entregou hoje, em Bruxelas, uma petição com um milhão de assinaturas para pedir rótulos obrigatórios.

A União Europeia (UE) tem legislação sobre os limites à presença de organismos geneticamente modificados (OGM) nos alimentos e rações para animais, antes de serem rotulados como biotecnológicos. Mas estas regras, que entraram em vigor em 2004, não se aplicam à carne e a lacticínios provenientes de um animal alimentado com OGM.

Para os grupos ecologistas, esta isenção é uma lacuna no labirinto legislativo europeu sobre os transgénicos. Para a indústria da biotecnologia e alimentação animal seria impensável e inaceitável alterar o seu status quo.

"Todos os anos entram no mercado europeu milhões de toneladas de alimentos geneticamente modificados, usados para a alimentação do gado. Mas os consumidores não são informados", alerta Marco Contiero, da Greenpeace.

Contiero entregou hoje uma petição ao comissário europeu da Saúde, Markos Kyprianou, que foi assinada por um milhão de cidadãos europeus, exigindo rótulos especiais para o leite, ovos, carne e outros produtos de animais alimentados com transgénicos.

No passado, a Comissão Europeia disse que não havia planos para reforçar a legislação europeia sobre rotulagem. Fazer isso seria "desproporcionado".

Esta posição – apoiada pela indústria internacional de biotecnologia, que insiste que os seus produtos são perfeitamente seguros – pode estar agora prestes a mudar.

"Uma petição com um milhão de assinaturas mostra grande interesse nesta questão. Vamos repensar o caso", prometeu Markos Kyprianou.

A maioria das importações europeias, principalmente soja e milho, vem de países como os Estados Unidos, onde as plantações OGM são comuns.

Segundo a Greenpeace, mais de 90 por cento dos produtos agrícolas OGM importados na Europa são soja e milho destinados à alimentação animal. Isso significa que 20 milhões de toneladas de OGM entram, por ano, na cadeia alimentar europeia.


Público

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Propaganda oficial no seu melhor...

Apesar da ideia inicial deste blogue ser a divulgação de ideias científicas, não posso deixar de transcrever um artigo de opinião que saiu hoje no jornal "Público".

Para pensar...

«A propaganda oficial no seu melhor
Santana Castilho
Oprimeiro-ministro apresentou o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e a ministra da Educação as 50 medidas de política com que diz estar a melhorar a escola pública. Foi a propaganda oficial no seu melhor, a merecer análise.
Durante os próximos sete anos, Bruxelas transferirá para Lisboa, diariamente, oito milhões, quatrocentos e catorze mil, oitocentos e setenta euros! Um milhão, seiscentos e oitenta e dois mil, novecentos e setenta e quatro contos em cada um dos próximos 2555 dias!
Sem surpresa, a qualificação dos portugueses e a educação juntaram-se à ciência e ao desenvolvimento tecnológico para preencherem os objectivos propagandísticos de Sócrates, anunciados com uma convicção que não convence. Por duas razões, uma de passado, outra de presente.
Comecemos pelo passado. É cansativo, pelo menos para quem tem memória, ouvir o mesmo discurso há décadas, quando nada acontece senão o contrário do que se apregoa. Os enormes fluxos financeiros que arribaram ao país nos tempos de Cavaco e Guterres deram o quê? O chavão da qualidade, do segundo ciclo da governação cavaquista, que sucedeu à época do betão da primeira maioria, deu o quê? A paixão pela educação, de Guterres, deu o quê? O choque tecnológico de Sócrates deu o quê? A mais alta taxa de abandono escolar da Europa, o último posto em todas as medidas de proficiência cognitiva, a menor taxa de frequência e conclusão de estudos secundários e superiores, a população activa menos qualificada e que menos se quer qualificar.
Já que tanto lhes agrada falar de resultados, estes são os resultados das estafadas prioridades para a educação. Visível, o betão e a corrupção, os jipes, as negociatas, a impunidade das criaturas que nos têm governado, sem competência nem talento. Virtual, a miragem do desenvolvimento dos outros: a Irlanda primeiro, agora a Finlândia, daqui a pouco a Eslovénia.
Mas a razão do presente não é menos relevante. O que deram as políticas de Sócrates, até hoje? Uma noção de desenvolvimento assente no definhamento dos que trabalham e no enriquecimento dos grupos dominantes, com dois milhões de assalariados a empobrecerem desde que ele é governo. Um desprezo nunca visto pelas pessoas, cujos direitos são imolados sem piedade em nome de um darwinismo económico que as leva a parir em Espanha, morrer em Odemira, porque os cuidados estão em Lisboa, ou aprender as primeiras letras a duas horas de autocarro de casa.
De que qualificação e de que portugueses fala este neoliberal empedernido, que nos habituou a esperar o contrário do que diz, que sovieticamente centrou tudo nele e já reservou mais de metade do pecúlio para as suas obras faraónicas (Ota e TGV)?
Ao mesmo nível propagandístico e sem crédito estão as 50 medidas com que a ministra da escola mínima se auto-elogia. Li e tive pena de nós, portugueses. Umas medidas têm relevância para merecerem o nome, embora sejam de coveira e não de ministra, embora piorem em vez de melhorar. A elas já me referi, autonomamente, à medida que foram surgindo. Outras são simplesmente ridículas.
Veja-se, por exemplo, como corriqueiras iniciativas de gestão menor, corrente, ganham foros de medidas de política no reino duma criatura que perdeu o sentido do caricato: homologação das cartas educativas; isenção do imposto automóvel para viaturas de transporte escolar de câmaras municipais; organização de uma conferência sobre ensino artístico; edição de um guia de acesso ao ensino secundário.
Um comentário ao expoente máximo da demagogia e da bazófia quando se destaca a criação de 500 cursos profissionais com 20.000 novos alunos. Está a falar de quê, senhora ministra? De novos planos de estudos de cursos tecnológicos, de cariz profissional relevante, servidos por novas oficinas e laboratórios, modernamente equipados e assistidos por técnicos competentes para ensinar a fazer, ou está a falar da cosmética que aplicou aos anteriores curricula alternativos, de má memória e "eduquês" lógica? Como sabe que são 20.000 novos alunos?
Ora revele lá donde vem essa gente. E diga-nos também que formação têm os professores que mobilizou e que equipamentos comprou. Não esqueça uma palavrinha para caracterizar o impacto que a sua medida teve nas escolas profissionais sérias, que estoicamente vão resistindo. Professor do ensino superior»

Artigo original em:
Público

sexta-feira, janeiro 26, 2007

A luta do atum pela sobrevivência!

Chegou a vez do atum ser protegido. Após anos e anos de pesca intensa, apercebem-se que as reservas podem diminuir a ponto de colocar em risco o comércio desta espécie. Qualquer dia, comer atum só nos restaurantes mais caros. Até quando as pessoas vão explorar os recursos piscícolas indiscriminadamente? Não falo só do atum, mas de todas as espécies comercializáveis! Para que estas espécies sejam capturadas, muitas outras também o são, conduzindo para valores próximos da extinção demasiados seres vivos. Recordo-me, como figueirense que sou, que em alguns anos, para aumentar o valor comercial da sardinha, lançava-se, já no porto, sardinha borda fora. Desta forma, ao diminuir a oferta e com um aumento da procura, o preço atinguia valores razoáveis. Pois é! Agora as reservas estão em baixo e é preciso parar algum tempo, durante a época de reprodução, para que a espécie posso recuperar até valores aceitáveis.
Como vão os tempos!
Também até à poucos anos, o tubarão era o terror dos mares, sem predadores. Agora, pescadores sedentos das suas barbatanas pescam-nos sem piedade. No fim, algumas vezes ainda vivos (e sem barbatanas claro!) são lançados novamente para o mar, onde, em terrível agonia, morrem!
Progresso dizem alguns! Outros, como eu, dizem barbaridade!
Até quando teremos atum?

Artigo original em:
Público
«Aprovado primeiro plano mundial para proteger atum da sobre-pesca
O plano foi aprovado no final de uma conferência internacional que decorreu nos últimos cinco dias em Kobe, no Japão.

O documento visa coordenar as políticas daqueles cinco organismos em matéria de controlo do comércio mundial do atum, através de sistemas de etiquetagem, da partilha de informações e da elaboração conjunta de listas negras de navios acusados de praticar pesca ilegal.

Os participantes nesta conferência reconheceram "a necessidade crítica de travar o declínio dos 'stocks' de atum e mantê-los a níveis sustentáveis".

Até agora, cada um dos cinco organismos mundiais de regulação da pesca do atum estabelecia as suas próprias cotas e dispunha de um sistema próprio de vigilância dos "stocks" de peixe. Os ecologistas criticam este sistema, que consideram demasiadamente fechado e ineficaz.

A conferência de Kobe reuniu pela primeira vez os cinco organismos de regulação mundial que operam no Atlântico, no centro-oeste do Pacífico e no Índico, a comissão inter-americana do atum tropical e a comissão de conservação do atum vermelho do sul. No total, estas organizações representam mais de 60 países.

Os "stocks" de atum estão em perigo de extinção comercial, sobretudo devido ao crescente interesse mundial pela cozinha japonesa, que usa muito o atum cru, nomeadamente para a preparação de pratos como o "sushi" e o "sashimi".

Segundo um recente relatório do Fundo Mundial para a Natureza, as reservas comerciais de atum poderão extinguir-se em apenas um ano nalgumas zonas, entre as quais o Mediterrâneo, devido ao excesso de capturas.»

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Uma música lendária...


segunda-feira, janeiro 22, 2007

O poder da água!

Quando a água da chuva cai no solo, forma pequenos fios de água, que se reunem com outros, formando linhas de águas maiores. Se o solo for pouco coerente, formado por rochas sedimentares detríticas pouco consolidadas, a água tem um enorme poder erosivo e marca a sua presença na rocha. Criam-se ravinamentos, mais ou menos profundos, de variadas dimensões.
As fotografias que se seguem foram tiradas em Santarém, através do 4º andar de um prédio.
No fundo da vertente é possível ver os sedimentos arrastados pela água e aí depositados.




Local do novo aeroporto da Ota!

Fotografia do local de implementação do novo aeroporto da Ota. Este local é uma zona húmida, classificada pelo PROT-AML como área nuclear para a conservação da natureza e corredor ecológico.
Ao fundo vê-se a serra de Montejunto.
A fotografia foi envida pela Associação de Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer .
Endereço electrónico:
Alambi

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Descargas de efluentes suinícolas em Leiria!

Publico uma notícia do jornal Publico sobre o ambiente em Leiria:

«...Explorações suinícolas continuam a violar a lei

Na noite passada foi registada uma descarga poluente pela população de Milagres. Segundo a Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres — que denunciou o caso —, a poluição começou a ser notada pelos populares a partir das 22h00 quer devido à cor escura da água quer pelo cheiro intenso desagradável.

Apesar de estarem proibidos de fazer despejos de grandes dimensões em cursos de água, os efluentes acumulados nas explorações suinícolas são um motivo de preocupação para os empresários que têm alegado ter terrenos agrícolas em pouca quantidade para os espalhar, como está previsto por lei.

O sistema de saneamento dessas unidades empresariais deverá estar concluído dentro de dois anos pelo que até lá a associação do sector está a tentar minimizar os efeitos, reforçando a limpeza de fossas e alargando o número de terrenos utilizados para espalhamento dos dejectos como adubo agrícola.

A ribeira dos Milagres tem sido alvo, ao longo dos anos, de grandes descargas de efluentes suinícolas, situação que se espera fique resolvida no âmbito do projecto de despoluição da bacia hidrográfica do rio Lis.»

Artigo completo em:
Público

O que fazer com o óleo usado!


Publico informação sobre o que fazer com o óleo usado, tão prejudicial ao ambiente, nomeadamente às águas dos nossos rios.
Em alguns hipermercados (p.e. Jumbo, Figueira da Foz), já se faz a recolha de garrafas e garrafões com óleo que serão reciclados. Podemos perguntar noutros estabelecimentos se também fazer recolha, ou sugerir para que passam a fazê-lo!
Afinal sempre podemos fazer algo pelo ambinte!
Desenganem-se as pessoas que argumentam que os outros lucram com o nosso lixo! Erro! Lucramos todos, com um ambiente muito melhor e água limpa para bebermos!

terça-feira, janeiro 16, 2007

A clonagem ao serviço da luta contra a fome!

Muito se fala da clonagem! Discutem-se vantagens, benefícios, problema do passado e do futuo, bioética,...
No entanto, a ciência avança!
O futuro nos dirá se para melhor ou pior!

Foi criado um trigo geneticamente modificado, que amadurece mais rápido, com maior teor em proteína, zinco e ferro. A Genética pode ser o caminho para eliminar a fome e a subnutrição dos países subdesenvolvidos.

Artigo:
«"O trigo é um dos cereais mais produzidos em todo o mundo, representando um quinto de todas as calorias consumidas pela humanidade, o que faz com que mesmo pequenos aumentos do seu valor nutritivo possam ajudar a diminuir carências em proteína e micronutrientes chave", afirma Jorge Dubcovsky, produtor de trigo e responsável por este grupo de investigação.

A equipa incluiu investigadores da Universidade da Califórnia, em Davis , do Departamento (ministério) da Agricultura dos Estados Unidos e da Universida de de Haifa, em Israel. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) referem que mais de dois milhões de pessoas têm carências em zinco e ferro, e mais de 160 milhões de crianças de menos de cinco anos têm falta de proteína na alimentação.

O gene clonado, chamado CPC-B1, acelera a maturação do trigo e aumenta em 10 a 15 por cento o teor em proteína e micronutrinetes nas variedades estudadas até agora, segundo o estudo. Para provar que todos estes efeitos resultaram do gene, os investigadores criaram linhas de trigo geneticamente mofificado com níveis reduzidos de CPC. "Os resultados foram espectaculares", disse Dubcovsky. »

Artigo completo em:
Ciência Hoje

Más notícias para Portugal!

O acentuar do efeito de estufa, com as grandes quantidades de dióxido de carbono laçadas todos os anos, fará aumentar em alguns graus a temperatura média global.
Para os que pensam que apenas alguns graus não têm valor, aqui os resultados de dois estudos que seão apresentados a 22 de Janeiro.
Afinal Portugal, um jardim à beira mar plantado, vai também sofrer as consequências deste consumismo desenfreado, a globalização da poluição e o esgotamento e destruição dos recursos naturais.
Ainda há quem diga que reciclar dá muito trabalho!

Artigo:
cenário não é animador: «Nas próximas décadas, Por«Os primeiros resultados dos projectos SIAM (Scenarios, Impacts and Adaptation Measures) e CLIMAAT II (Clima e Meteorologia dos Arquipélagos Atlânticos) vão ser apresentados em Lisboa no dia 22. Otugal vai assistir a uma cada vez maior assimetria sazonal de disponibilidade hídrica, a uma redução do escoamento médio anual de água na Primavera, Verão e Outono, e à cada vez maior concentração de chuva no Inverno, facto que indicia um aumento do fenómeno das cheias nos próximos anos».»

«Em relação a Portugal prevê-se ainda que a degradação dos ecossistemas se vai acentuar e que será uma realidade o rebaixamento dos níveis freáticos e a perda significativa da qualidade da água.»

Artigo original em:
Cartaz das Conferências de Ambiente do Técnico (2006/04), onde estes resultados serão apresentados.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Presença do homem moderno na Europa remonta há 45 mil anos!

«A presença do homem moderno na Europa remonta há 45 mil anos, segundo as mais antigas ossadas encontradas no continente europeu por uma equipa internacional de arqueólogos. Os vestígios foram descobertos debaixo de uma camada de cinza vulcânica próxima do rio Don, cerca de 400 quilómetros a sul de Moscovo, referiu John Hoffecker, um dos co-autores do estudo hoje publicado nos Estados Unidos e investigador da Universidade do Colorado de Boulder.»

Ver artigo completo em
Ciência Hoje

Escavações junto ao rio Don

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Fotos do concurso "Colher de Pau"!

No passado dia 15 de Dezembro, na Escola 2,3 Dr. Correia Mateus, decorreu a actividade "Colher de Pau". Esta actividade foi promovida pela turma F do oitavo ano e pela professora Cristina Castela e apoiada pelo Conselho Executivo, pela professora Ana e pelo grupo de estágio de Geografia.
Aqui publico as fotografias desse evento!





terça-feira, janeiro 09, 2007

Más notícias para a Amazónia!

Atenção:
Foi descoberto ouro na localidade de Apui, nas margens do rio Juma.
Esta localidade está a ser invadida por garimpeiros, pessoas pobres, desejosos de enriquecer rapidamente.
Com esta invasão, várias áreas de floresta estão a ser desbravadas para a construção de barracas para habitação e substâncias poluentes, como o mercúrio, utilizadas para separar o metal precioso, são e serão cada vez mais lançados no rio.
A sociedade consumista continua a fazer das suas!
Todos somos culpados.
Se não houvesse a procura por objectos em ouro não se destruia o futuro de todos.
Estamos a hipotecar a Vida!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

National Geographic de Janeiro. A não perder!

Já saiu a National Geographic de Janeiro!
A capa deste mês é um apelo urgente à consciência das pessoas de todo o mundo: a Amazónia está a desaparecer vítima de uma exploração desenfreada por capitalistas desejosos de aumentar o seu capital.
O pulmão do planeta, uma das últimas florestas tropicais, está a ser desbastado!
A renovação do ar está comprometida! Sem árvores para retirar o dióxido de carbono da atmosfera, o aumento do efeito de estufa será mais acelerado.
E, no entanto, podemos tomar, cada um de nós, atitudes para evitar este problema, nomeadamente: não comprar móveis de madeira exótica, não comprar animais selvagens, não comprar carne oriunda destes locais, entre outras medidas.

Para pensar:

Brasil: O fim da Amazónia
«Nos minutos que demorar a ler esta reportagem, uma área da Amazónia com dimensão aproximada de 150 campos de futebol será destruída.
As forças da globalização estão a invadir a Amazónia, apressando a morte da floresta e frustrando os esforços dos seus defensores. Nas últimas três décadas, centenas de pessoas morreram em guerras pela posse de terra e muitas outras enfrentam o medo, ameaçadas por quem lucra com o roubo da madeira e da terra. Nesta fronteira onde mandam as armas, as motosserras e os bulldozers, os funcionários da administração pública são frequentemente corruptos e ineficazes ou mal apetrechados e incapazes de aplicar a justiça. Texto de Scott Wallace; Fotografias de Alex Webb

Recentemente, os produtores industriais de soja aliaram-se aos madeireiros e aos criadores de gado na luta pela posse da terra, acelerando a destruição e fragmentando ainda mais a grandiosa região bravia brasileira. Nos últimos 40 anos, quase um quinto da floresta tropical da Amazónia foi abatido. Trata-se de uma área maior do que aquela que foi alvo da destruição perpetrada nos 450 anos anteriores, decorridos desde o início da colonização portuguesa. A comunidade científica teme que, nas próximas duas décadas, se percam ainda mais 20% das árvores existentes. Se isso acontecer, a ecologia da floresta começará a desmoronar-se. Intacta, a Amazónia produz metade da sua própria chuva através da humidade que liberta para a atmosfera. Se uma quantidade suficiente de chuva for eliminada pelo abate de clareiras, as restantes árvores secarão e morrerão. Quando o grau de exsicação é agravado pelo aquecimento global, as secas graves aumentam o perigo de fogos incontroláveis capazes de devastar a floresta. Uma seca desse tipo afligiu a Amazónia em 2005, reduzindo o nível dos rios até 12 metros e afectando centenas de comunidades. Entretanto, como a queima de árvores se está a processar de forma desmesurada (com o objectivo de criar terras cultiváveis nos estados fronteiriços do Pará, Mato Grosso, Acre e Rondónia), o Brasil tornou-se um dos maiores emissores de gases de estufa. Os sinais de perigo são indesmentíveis. Tudo começa sempre com uma estrada. Se exceptuarmos um punhado de auto-estradas federais e estaduais (incluindo a auto-estrada Transamazónica, de leste a oeste, e a controversa “auto-estrada da soja” BR-163, que divide o coração da Amazónia numa extensão de 1.770km), quase todas as estradas na Amazónia foram construídas sem licença. Essas estradas representam uma distância superior a 169 mil quilómetros e, na maioria, foram ilegalmente abertas por madeireiros que pretendiam acesso ao mogno e a outras madeiras duras para o mercado exportador. No Brasil, os acontecimentos desencadeados pela indústria madeireira são quase sempre mais destrutivos do que o próprio abate. Uma vez cortadas as árvores, os madeireiros prosseguem caminho, mas as estradas construídas servem para canalizar uma mistura explosiva de ocupantes de terra, especuladores, rancheiros, agricultores e inevitavelmente mercenários armados. Os açambarcadores de terra seguem a estrada até às profundezas da floresta, até aí impenetrável, e, depois, destroem grandes superfícies, de maneira a dar a impressão de que a terra lhes pertence. O roubo de terras é cometido graças a tácticas de corrupção e intimidação e a títulos fraudulentos de posse da terra. Os brasileiros até já inventaram um nome para descrevê-lo: grilagem, derivado do insecto grilo. Aqueles que cometem esta prática são apelidados de grileiros, por se saber que fabricam títulos falsos de propriedade, envelhecendo-os em gavetas cheias de grilos esfomeados.»


Artigo em:
National Geographic

terça-feira, janeiro 02, 2007

2007 poderá ser o ano mais quente de que há memória!

A conjugação de dois fenómenos (o aumento do efeito de estufa e o "El Nino" ) farão de 2007 o ano mais quente de sempre (?), segundo um especialista britânico da Universidade de East Anglia.

Diz o artigo:
«O efeito de estufa e o fenómeno climatérico conhecido por El Niño poderão fazer de 2007 o ano mais quente de sempre, com consequências que afectarão todo o planeta, defendeu hoje um especialista britânico da Universidade de East Anglia. Segundo Phil Jones, que é director da Unidade de Investigação do Clima da universidade de East Anglia, 2007 será um ano de condições climatéricas extr mas que poderão originar, por exemplo, secas na Indonésia e inundações na Califórnia.

O professor alerta, num artigo hoje publicado no jornal britânico The Independent, que o aquecimento global - que já deu início a um processo de degelo no Ártico - será agravado pela chegada do El Niño.

Este fenómeno causado pela subida das temperaturas médias do mar no Oceano Pacífico "faz com que o mundo seja mais quente e exista uma tendência de maior calor que aumenta as temperaturas globais entre uma a duas décimas de grau centígrado por década", explicou Jones.

O El Niño (que tem esta designação porque usualmente forma-se na altura do Natal e ocorre entre cada dois a sete anos) poderá ter consequências dramáticas no continente americano, sudeste asiático e sul de África nos primeiros quatro meses de 2007, refere o artigo publicado no The Independent.»

Artigo original em:
Ciência Hoje




El Ninõ poderá fazer das suas em 2007 como fez há 10 anos (simulação Nasa de 1997)